Ok. Eu queria estar aqui escrevendo sobre coisas boas. Mas já há muitos textos por aí sobre temas leves e promessas de renovação de vida, que, aliás, eu leio com muito prazer em busca de alento para as notícias que temos que encarar em nossa editoria.
Mas, ao encerrar o ano me sinto mais na obrigação de relembrar fatos e crimes que seria bom esquecer, mas que, uma vez ocorridos, não nos dão essa opção.
Para citar todos, só escrevendo um livro,infelizmente. Um dos mais emblemáticos, sem dúvida foi o assassinato das duas irmãs adolescentes em Cunha, no final de março. Meninas de 15 e 16 anos, sequestradas na volta da escola por um conhecido da família, que era morador da comunidade e foragido da justiça, após ser liberado para uma saída temporária e não retornar ao presídio. Não há o que comentar sobre isso.
Em julho, uma mulher de 79 anos saiu de casa às 7h da manhã para levar o lixo à rua e morreu. Atropelada. Em cima da calçada por um motorista que perdeu o controle do carro. O responsável foi preso por homicídio doloso – quando há intenção de matar -, negou estar em alta velocidade e foi solto no final do mesmo dia.
E setembro, mais duas adolescentes, de 16 e 17 anos, desapareceram na saída da escola em Jacareí e foram encontradas mortas em Nazaré Paulista.
No final de novembro, uma menina de seis anos foi arrancada da mão da mãe ao descer da calçada, por uma moto em alta velocidade. Jogada longe, ela morreu na hora. O motociclista não foi localizado.
Em dezembro, um casal foi morto a tiros, dentro de casa, enquanto dormia na zona sul de São José. Essa é uma pequena amostra, trágica, do ano na área policial no Vale. Esses intervalos de meses foram recheados por muitos outros crimes, que mantiveram nossa região no topo do ranking da violência, no interior do Estado.
Não é que a polícia não tenha corrido atrás. As blitze da PM se multiplicaram, as investigações da Civil foram acirradas, centenas de quilos de drogas foram encontradas, casos foram resolvidos, mas ainda assim…
Criminosos não pouparam nem o Fórum de São José e roubaram de lá dezenas de armas . Caixas eletrônicos foram destruídos às dezenas pela região. O tráfico continuou sendo apontado pelas corporações policiais como a principal causa dos índices criminais e no final do ano, a Corregedoria da Secretaria de Segurança Pública pediu investigação sobre uma denúncia de ameaças de morte da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) a uma lista de policiais do Vale.
O ano muda de 2011 para 2012, mas os números que noticiaremos ao longo do novo ano serão novos de forma positiva para a segurança? É o que desejamos profundamente. Afinal, apesar das muitas datas marcadas para o fim do mundo, já há uma certeza: o mundo acaba todos os dias. Para quem morre.
Até 2012!
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